As desigualdades raciais e de gênero no mercado de trabalho brasileiro são evidentes, conforme apontam diversas pesquisas recentes. A pesquisa “Mulheres Negras no Mercado de Trabalho”, realizada por meio do LinkedIn com 155 mulheres negras entre 19 e 55 anos, revelou dados alarmantes sobre a realidade profissional desse grupo. A maioria das participantes (50,3%) possui nível superior, pós-graduação ou especialização, enquanto 13,5% têm mestrado ou doutorado. No entanto, essa alta qualificação não as protege do racismo e da discriminação.
Discriminação no ambiente de trabalho
Mesmo com formação acadêmica e experiência, 68% das mulheres negras entrevistadas relataram ter sido confundidas com funcionárias da limpeza em algum momento de suas trajetórias profissionais. Além disso, mais de 70% mencionaram que precisam justificar suas escolhas capilares, enfrentando questionamentos sobre o uso de cabelo alisado, black power ou laces.
A discriminação racial também impacta os processos seletivos. Metade das entrevistadas disse que a cor da pele e o local de residência foram questionados em entrevistas online. Quando a seleção passava para a fase presencial, muitas relatavam uma mudança na abordagem dos recrutadores, que recuavam na contratação.
Outro dado preocupante é a falta de progressão na carreira. Apesar de mais de 70% das entrevistadas possuírem pós-graduação, poucas conseguem avançar dentro das empresas. Muitas estão estagnadas há anos no mesmo cargo, sem perspectiva de promoção ou aumento salarial. Segundo o Instituto Ethos (2020), mulheres negras representam apenas 0,4% dos altos cargos nas 500 maiores empresas do Brasil.
O impacto na saúde mental
A discriminação no trabalho não afeta apenas a trajetória profissional, mas também a saúde mental das mulheres negras. Estudos mostram que enfrentar preconceito diariamente pode levar a estresse crônico, ansiedade, depressão e baixa autoestima. O assédio moral e a falta de reconhecimento impactam diretamente a satisfação profissional e a produtividade.
A auditora-fiscal do Trabalho Marina Cunha Sampaio alerta que a discriminação está enraizada nas estruturas de poder e afeta de forma desproporcional grupos vulneráveis. No Brasil, as mulheres negras ainda são as mais subutilizadas no mercado de trabalho. Em 2021, 41,5% delas estavam subempregadas, enquanto entre os homens brancos esse percentual era de apenas 18%. A taxa de desemprego entre mulheres negras foi de 13,9% em 2022, comparada a 8,9% entre mulheres brancas e 6,1% entre homens brancos.
O teto de vidro e a exclusão dos espaços de liderança
O conceito de “teto de vidro” é frequentemente associado às dificuldades enfrentadas por mulheres na ascensão profissional, e a situação é ainda mais desafiadora para mulheres negras. Muitas empresas alegam adotar políticas de inclusão, mas na prática, essas profissionais continuam sub-representadas nos cargos de liderança e direção.
A discriminação salarial também é um problema grave. Algumas entrevistadas relataram descobrir que colegas brancos, desempenhando as mesmas funções, recebiam salários significativamente maiores. Em resposta, algumas empresas criavam novos cargos para justificar a diferença salarial, ao invés de corrigir a desigualdade.
O caminho para mudança
A pesquisa aponta que o mercado de trabalho precisa repensar suas estruturas e combater a discriminação de forma efetiva. Empresas devem implementar programas reais de diversidade e inclusão, garantindo que mulheres negras tenham oportunidades iguais de crescimento.
É fundamental que haja mais lideranças negras nas organizações, não apenas para representatividade, mas também para promover mudanças significativas. Também é necessário um comprometimento das instituições com a equidade salarial, combatendo práticas discriminatórias e assegurando um ambiente de trabalho seguro e respeitoso para todas as profissionais.
Se as empresas desejam avançar na construção de um ambiente corporativo mais justo, precisam sair do discurso e colocar a inclusão em prática. Mulheres negras têm competência e formação, mas precisam de oportunidades reais para crescer e ocupar espaços de liderança que historicamente lhes foram negados.
Agora, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as empresas precisarão, a partir de 26 de maio de 2025, incluir a avaliação de riscos psicossociais na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Isso significa que questões como estresse, assédio e carga mental excessiva deverão ser identificadas e gerenciadas. Ou seja, investir em saúde mental não será mais uma escolha, mas uma obrigação legal.
No Carreira Preta, temos soluções que ajudarão sua empresa nesse processo. Conectamos talentos negros a empresas comprometidas com diversidade, oferecendo recrutamento especializado, mentorias e consultoria para tornar os ambientes mais inclusivos. Acreditamos que equidade não é só uma meta, mas uma necessidade para o crescimento sustentável das empresas e da sociedade.
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